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Mecanismos de Resistência a Antibióticos

Resistência a antibióticos é a capacidade das bactérias de suportar os efeitos de drogas antimicrobianas que de outra forma as matariam ou inibiriam seu crescimento. A resistência pode ser intrínseca (naturalmente presente) ou adquirida através de mutação ou transferência horizontal de genes.

Inativação Enzimática

  1. Beta-lactamases hidrolisam o anel beta-lactâmico de penicilinas, cefalosporinas e carbapenêmicos. Exemplos incluem TEM-1, SHV-1 e beta-lactamases de espectro estendido (ESBLs).
  2. Enzimas modificadoras de aminoglicosídeos transferem grupos acetil, fosforil ou adenil para aminoglicosídeos, reduzindo a ligação ribossômica. Tipos incluem AACs, APHs e AADs.
  3. Cloranfenicol acetiltransferase (CAT) inativa o cloranfenicol por acetilação, prevenindo a inibição da síntese proteica.

Modificação de Alvo

  1. Mutações nas proteínas ligadoras de penicilina (PBPs) reduzem a afinidade por beta-lactâmicos. MRSA carrega mecA codificando PBP2a com baixa ligação a beta-lactâmicos.
  2. Mutações na DNA girase (gyrA) e topoisomerase IV (parC) conferem resistência a quinolonas alterando os sítios alvo das drogas.
  3. Metilação do rRNA 23S (genes erm) previne a ligação de macrolídeos, lincosamidas e estreptogramina B (MLSB).
  4. Mutações em proteínas ribossômicas ou rRNA 16S conferem resistência a aminoglicosídeos (ex.: mutações rpsL em Mycobacterium tuberculosis).

Bombas de Efluxo

  1. Bombas de efluxo exportam ativamente antibióticos para fora da célula, reduzindo as concentrações intracelulares. São classificadas em cinco famílias: MFS, ABC, RND, SMR e MATE.
  2. Bombas RND (ex.: AcrAB-TolC em E. coli) são sistemas tripartites que atravessam ambas as membranas de bactérias Gram-negativas e exportam múltiplas classes de drogas.
  3. A superexpressão de genes de bombas de efluxo (ex.: mexAB-oprM em Pseudomonas aeruginosa) contribui para a resistência a múltiplas drogas.

Permeabilidade Reduzida

  1. Bactérias Gram-negativas limitam a entrada de antibióticos através de canais de porinas na membrana externa. A perda ou regulação negativa de porinas (OmpF, OmpC) reduz o influxo.
  2. Alterações na estrutura do lipopolissacarídeo (LPS) podem reduzir a ligação de polimixinas e aminoglicosídeos.
  3. A formação de biofilme cria uma barreira física que limita a penetração de antibióticos e cria microambientes com atividade metabólica reduzida.

Transferência Horizontal de Genes

  1. Conjugação transfere genes de resistência em plasmídeos ou transposons entre bactérias, mesmo entre espécies.
  2. Transformação permite a captação de DNA livre contendo genes de resistência do ambiente.
  3. Transdução por bacteriófagos pode transferir genes de resistência entre cepas bacterianas.

Implicações Clínicas

  1. Patógenos multirresistentes (MDR), extensivamente resistentes (XDR) e pan-resistentes (PDR) são cada vez mais comuns.
  2. Patógenos ESKAPE (Enterococcus faecium, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa, espécies de Enterobacter) são as principais causas de infecções associadas à assistência à saúde.
  3. Programas de gestão de antimicrobianos visam otimizar o uso de antibióticos e retardar o desenvolvimento de resistência.