A tosse é um reflexo protetor que limpa as vias aéreas de secreções e materiais estranhos, mas quando persistente ou improdutiva torna-se um sintoma angustiante que requer intervenção farmacológica. Antitússicos, expectorantes, mucolíticos e demulcentes representam as principais classes de medicamentos usados no tratamento da tosse, cada um visando diferentes aspectos do reflexo da tosse e da fisiologia do muco.
O que são antitussígenos e mucolíticos?
Os agentes antitússicos suprimem a tosse agindo no centro da tosse central ou perifericamente. Os expectorantes visam aumentar a produção e a hidratação do muco para facilitar a eliminação, enquanto os mucolíticos decompõem os componentes estruturais do muco para reduzir a viscosidade. Os demulcentes revestem a mucosa faríngea para aliviar a irritação.
Classes e mecanismos de medicamentos
Antitussígenos centrais incluem o dextrometorfano, um derivado não opioide do levorfanol que atua nos receptores sigma-1 e nos receptores NMDA no centro da tosse. A codeína e a folcodina são antitussígenos opioides que suprimem a tosse por meio de receptores mu-opioides na medula. A codeína é um pró-fármaco que requer a conversão do CYP2D6 em morfina, levando a uma eficácia variável com base em polimorfismos genéticos. A folcodina foi retirada em vários países devido ao risco de anafilaxia com agentes bloqueadores neuromusculares.
Antitussígenos periféricos incluem levodropropizina e moguisteína, que modulam as terminações nervosas sensoriais no trato respiratório. Esses agentes têm um papel limitado na prática clínica de rotina.
Expetorantes como a guaifenesina aumentam a secreção de fluidos do trato respiratório, reduzindo a viscosidade do muco e aumentando a produtividade da tosse. A nebulização com solução salina hipertônica atrai osmoticamente água para o lúmen das vias aéreas, melhorando a depuração mucociliar.
Mucolíticos decompõem quimicamente as estruturas das glicoproteínas do muco. A acetilcisteína reduz as ligações dissulfeto no muco, diminuindo a viscosidade. A carbocisteína e seu derivado carbocisteína lisina modificam a composição do muco, reduzindo a produção de sialomucina. O ambroxol e a bromexina estimulam a produção de surfactante e aumentam a secreção serosa das vias aéreas, melhorando a eliminação do muco.
Demulcentes incluindo mel, glicerina e vários xaropes formam uma camada protetora na mucosa faríngea, reduzindo a irritação e o reflexo da tosse através de um mecanismo calmante.
Usos Terapêuticos
A tosse aguda causada por infecções do trato respiratório superior é geralmente autolimitada e muitas vezes não requer tratamento farmacológico. Os antitússicos são indicados para tosse seca e improdutiva que interfere no sono ou nas atividades diárias. A tosse crônica requer investigação das causas subjacentes, como asma, DRGE ou gotejamento pós-nasal. Os mucolíticos são mais úteis em condições com secreções espessas e tenazes, incluindo DPOC, fibrose cística e bronquiectasia. Os expectorantes estão amplamente disponíveis sem receita para tosses produtivas.
Efeitos Adversos
O dextrometorfano pode causar sonolência, tontura e, em altas doses, efeitos dissociativos e potencial de abuso. Os antitussígenos opioides causam constipação, sedação, náusea e apresentam risco de dependência. A acetilcisteína pode causar broncoespasmo em pacientes asmáticos e desconforto gastrointestinal. A guaifenesina é geralmente bem tolerada, sendo náuseas leves o efeito colateral mais comum.
Principais considerações clínicas
A evidência de medicamentos vendidos sem receita para a tosse é limitada, especialmente em crianças, onde não são recomendados para menores de seis anos de idade. Os supressores de tosse não devem ser usados na tosse produtiva, onde a eliminação do muco é importante. A acetilcisteína também é usada como antídoto para overdose de paracetamol, uma propriedade secundária importante. A maioria das tosses agudas se resolve espontaneamente e a educação do paciente sobre a duração esperada é valiosa.
Conclusão
Os antitussígenos e os mucolíticos desempenham funções complementares no tratamento da tosse, com seleção baseada no caráter da tosse e na etiologia subjacente. O uso criterioso, especialmente evitando supressores na tosse produtiva, garante o alívio adequado dos sintomas sem interferir nos mecanismos protetores de desobstrução das vias aéreas.