A demonstração histoquímica de metais e minerais em seções de tecido identifica acúmulos patológicos que causam ou indicam doença. Esses métodos exploram reações químicas específicas entre íons metálicos e reagentes orgânicos, produzindo precipitados coloridos insolúveis no local da deposição do metal.
Ferro: Azul da Prússia de Perls
O Azul da Prússia de Perls é a coloração histoquímica padrão para ferro férrico (Fe3+). A reação usa ácido clorídrico para liberar íons férricos de proteínas (ferritina, hemossiderina) e ferricianeto de potássio para formar ferricianeto férrico — um pigmento azul insolúvel e intensamente azul (azul da Prússia). A intensidade da coloração azul reflete a quantidade de ferro presente.
O acúmulo de ferro ocorre em hemocromatose hereditária (ferro em hepatócitos, predominantemente periportal), sobrecarga de ferro secundária (siderose transfusional, anemias hemolíticas — ferro em células de Kupffer e células de revestimento sinusoidal), doença hepática alcoólica (ferro misto em hepatócitos e células de Kupffer) e deposição localizada de ferro (sítios de hemorragia, infartos, tumores). Na medula óssea, a coloração de Perls gradua o ferro de armazenamento de 0 (ausente) a 6 (massivamente aumentado). No pulmão, macrófagos carregados de hemossiderina (“células de insuficiência cardíaca”) indicam congestão ou hemorragia pulmonar.
Perls com amplificação por DAB usa diaminobenzidina para amplificar o sinal do azul da Prússia, convertendo azul em marrom escuro e aumentando a sensibilidade em 10-100 vezes para detectar pequenas quantidades de ferro.
Cobre: Colorações de Rodanina e Timm
Coloração de rodanina (p-dimetilaminobenzilideno rodanina) detecta cobre em seções de tecido. Íons de cobre se ligam à rodanina, formando um precipitado vermelho-alaranjado. A coloração é mais sensível para grandes agregados de cobre em lisossomos. O método sulfeto-prata de Timm é mais sensível, detectando tanto cobre quanto zinco precipitando sulfetos de metais pesados e amplificando-os com desenvolvimento de prata física.
O acúmulo de cobre define a doença de Wilson (degeneração hepatolenticular) — depósitos de cobre em hepatócitos (periportal, associados a esteatose, inflamação e fibrose), no cérebro (putame, globo pálido) e na membrana de Descemet da córnea (anéis de Kayser-Fleischer). Cobre hepático >250 µg/g de peso seco é diagnóstico. A coloração de rodanina é positiva na doença de Wilson avançada, mas pode ser negativa em estágios iniciais — a medição quantitativa de cobre por espectroscopia de absorção atômica é o padrão ouro.
Metais Pesados
Chumbo — o chumbo tecidual é demonstrado pelo método da ditizona, que forma um complexo vermelho chumbo-ditizona. Depósitos de chumbo ocorrem no osso (como linhas de chumbo no osso em crescimento), rim (inclusões intranucleares em células tubulares proximais) e cérebro (capilares cerebelares e neurônios). As inclusões de chumbo também são visíveis na H&E como inclusões intranucleares eosinofílicas.
Mercúrio — depósitos são demonstrados pelo método sulfeto-prata (autometalografia). O mercúrio se acumula no rim (túbulos proximais), cérebro (células granulares do cerebelo) e gânglios sensoriais. A autometalografia pode detectar mercúrio em concentrações extremamente baixas.
Prata — a autometalografia demonstra depósitos de prata em tecidos de indivíduos com toxicidade por prata (argíria). A prata se acumula na pele (glândulas sudoríparas periecrinas, membranas basais), rim (membranas basais glomerulares) e córnea. Em laboratórios de histologia, as colorações de prata são usadas para reticulina, fungos e espiroquetas; a prata residual em equipamentos de processamento pode causar coloração artefatual.
Alumínio
O alumínio é detectado pela coloração de aluminon (ácido aurina tricarboxílico), que forma uma laca vermelha com íons de alumínio. Depósitos de alumínio ocorrem no osso (na frente de mineralização — associados à osteomalácia relacionada à diálise), no cérebro (novelos neurofibrilares na doença de Alzheimer — associação não comprovada) e no baço e fígado. A toxicidade por alumínio ocorre em pacientes com insuficiência renal crônica em diálise com água contaminada por alumínio.
Cálcio e Fosfatos
O cálcio é demonstrado por Von Kossa (substituição por prata, preto) e Alizarina Vermelha S (complexo laranja-vermelho). Esses métodos são descritos em detalhes em Colorações para Amiloide, Pigmento e Minerais. O fosfato de cálcio é o depósito mineral mais comum em tecidos moles; o oxalato de cálcio requer luz polarizada (cristais birrefringentes) ou Alizarina Vermelha S.
Controle de Qualidade
Toda histoquímica de metais requer controles positivos: fígado com sobrecarga de ferro (Perls’), fígado de doença de Wilson (rodanina), artéria calcificada (Von Kossa). A pureza dos reagentes é crítica — contaminação por metais traço em reagentes causa coloração falso-positiva. Água deionizada deve ser usada para todas as soluções. As colorações de metais são sensíveis à fixação — a formalina é adequada para ferro e cálcio, mas a fixação prolongada pode lixiviar o cobre. Consulte as diretrizes de garantia de qualidade para protocolos de validação ao implementar essas colorações.