Após a fixação, o tecido deve ser infiltrado com um meio de suporte — tipicamente parafina — para possibilitar o corte fino. Os processadores automáticos de tecido conduzem o tecido através de banhos sequenciais de reagentes ao longo de 8-24 horas, substituindo a água por parafina através de três estágios: desidratação, clarificação e infiltração.
O Processador de Tecido
Os processadores de tecido modernos são instrumentos fechados e ventilados que movem cestos de cassetes de tecido através de uma série de estações de reagentes. Processadores tipo carrossel (Leica ASP300, Thermo Excelsior) rotacionam o cesto através de recipientes individuais de reagentes. Processadores de imersão e rotação abaixam o cesto em uma única câmara que sequencialmente enche e drena com cada reagente. Ambos os tipos incluem um ciclo de vácuo/pressão durante a infiltração de parafina que força a cera para dentro das cavidades do tecido e remove o ar residual.
Os processadores comportam 100-400 cassetes por execução. Um protocolo noturno típico (14-16 horas) processa todas as biópsias de rotina e pequenas ressecções. Um protocolo “rápido” mais curto (4-8 horas) é usado para processamento no mesmo dia de espécimes urgentes, remanescentes de seção congelada e pequenas biópsias. O protocolo é selecionado com base no tipo e tamanho do tecido.
Desidratação
A água é imiscível com a parafina e deve ser completamente removida. A desidratação usa etanóis graduados (70%, 80%, 95%, 100%) em concentração crescente. Começar com etanol a 70% previne choque osmótico e encolhimento excessivo. A etapa de etanol a 100% é a mais crítica — qualquer água residual impedirá a infiltração de parafina e produzirá blocos quebradiços e difíceis de seccionar. O etanol absoluto contém <1% de água; deve ser trocado frequentemente (a cada 50-100 execuções) para manter a eficácia.
Artefatos de desidratação: desidratação incompleta (blocos granulados e moles), superdesidratação (encolhimento e endurecimento excessivos de biópsias pequenas) e arraste de água do etanol para o agente clarificador (reagentes clarificadores turvos).
Clarificação
Os agentes clarificadores são miscíveis tanto com etanol quanto com parafina. Eles substituem o etanol no tecido e tornam o espécime translúcido (daí “clarificação” — o tecido aparece claro à medida que o índice de refração iguala o do agente clarificador). Xileno é o agente clarificador universal — tem bom desempenho, mas requer manuseio como solvente perigoso (neurotóxico, inflamável). Substitutos incluem isopropanol, agentes clarificadores à base de limoneno (HistoClear, Citrisolv) e ftalato de dibutila. Os substitutos do xileno clarificam mais lentamente e podem deixar agente clarificador residual no tecido.
Artefatos de clarificação: clarificação incompleta (manchas opacas e brancas no bloco — o tecido ainda contém etanol ou água) e superclarificação (endurecimento excessivo, particularmente de tecidos adiposos).
Infiltração de Parafina
O agente clarificador é gradualmente substituído por parafina fundida (ponto de fusão 56-60°C). O processador move o cesto através de dois a três banhos de parafina, cada um de 1-2 horas, sob vácuo. A infiltração a vácuo (15-25 polegadas de Hg) remove agente clarificador residual e ar das cavidades teciduais, garantindo penetração completa. Parafina fresca na estação final produz os blocos mais limpos.
Qualidade da parafina afeta o corte. Aditivos da parafina incluem DMSO (melhora a infiltração), resinas (melhoram o corte de tecidos duros) e polímeros plásticos (melhoram a continuidade da fita). A parafina ideal tem uma faixa de fusão estreita, boa adesão ao tecido e formação mínima de cristais quando resfriada.
Seleção de Protocolo
Protocolo de rotina (noturno, 14-16 horas) — adequado para a maioria das biópsias e pequenas ressecções (até 4 mm de espessura). Tempos de reagente: etanol 70% (1 h), etanol 80% (1 h), etanol 95% (1 h × 2), etanol 100% (1,5 h × 2), xileno (1,5 h × 2), parafina (2 h × 2 com vácuo).
Protocolo para espécimes grandes (24 horas) — para espécimes adiposos, densos ou >4 mm. Etapas de desidratação mais longas (2 h cada), etapas adicionais de xileno (total 6-8 horas) e infiltração de parafina estendida (4 h × 2). O tecido adiposo requer clarificação prolongada porque a gordura se dissolve lentamente no xileno.
Protocolo rápido (4-6 horas) — para pequenas biópsias urgentes. Usa temperaturas mais altas (60°C), tempos mais curtos e desidratantes mais fortes (isopropanol). Pode produzir blocos mais duros, mas morfologia adequada.
Solução de Problemas de Processamento
Blocos moles ou pastosos — desidratação incompleta ou infiltração inadequada de parafina. Reprocesse o tecido derretendo a parafina e repetindo a partir do etanol 100%.
Blocos quebradiços — superdesidratação, calor excessivo ou exposição prolongada ao xileno. Reduza os tempos de desidratação ou diminua a temperatura do forno. Adicione uma gota de agente umectante ao banho-maria durante o corte.
Encolhimento tecidual — o processamento normal causa 10-15% de encolhimento linear. O encolhimento excessivo resulta de altas concentrações de etanol aplicadas muito cedo — garanta desidratação graduada começando a 70%.
Áreas brancas e calcárias no bloco — clarificação incompleta (água ou etanol residual). Reprocesse a partir do estágio de clarificação.
Controle de Qualidade
Monitore a qualidade do processamento verificando a aparência do bloco (parafina uniforme e translúcida sem manchas brancas), qualidade do corte (fitas suaves sem chatter ou rasgos) e qualidade da H&E (detalhe nuclear nítido sem palidez excessiva). A pureza do reagente é verificada por densidade específica (etanol), índice de refração ou execuções de teste de processamento de tecido. A manutenção regular do processador — limpeza das linhas de reagentes, substituição de vedações, calibração de temperatura e vácuo — previne falhas em lote. Documente todas as trocas de reagentes e manutenção no registro de garantia de qualidade.