A seção congelada é um método de diagnóstico rápido de tecido realizado enquanto o paciente está sob anestesia. Ela contorna o ciclo padrão de 12-24 horas de processamento tecidual congelando o tecido, cortando seções em um criostato, corando-as e tendo o patologista emitindo o laudo em 15-20 minutos. O resultado influencia diretamente o procedimento cirúrgico — determinando se as margens estão livres, se um linfonodo contém tumor ou se tecido diagnóstico suficiente foi obtido.
O Criostato
O criostato é um micrótomo rotativo encerrado em um gabinete refrigerado mantido a -20 a -30°C. Tecido fresco e não fixado é colocado em um mandril metálico com meio de inclusão (composto OCT — temperatura ótima de corte), congelado rapidamente imergindo o mandril em nitrogênio líquido ou colocando-o em uma barra de congelamento rápido, então seccionado a 4-10 µm de espessura. A seção é recolhida em uma lâmina de vidro à temperatura ambiente, que instantaneamente fixa o tecido derretendo a seção congelada no vidro.
Indicações para Seção Congelada
Avaliação de margem é a indicação mais comum. Na cirurgia oncológica, o cirurgião precisa saber se a margem de ressecção está livre de tumor. Se a seção congelada mostra tumor na margem, o cirurgião pode ressecar tecido adicional imediatamente, evitando uma segunda operação.
Avaliação de linfonodo para biópsia de linfonodo sentinela em melanoma e câncer de mama determina se o tumor metastatizou, orientando a extensão da dissecção linfonodal.
Identificação de tecido garante que o espécime contenha tecido diagnóstico — particularmente importante para adenoma de paratireoide (distinguindo-o de tireoide, linfonodo ou gordura), identificação de nervo durante microcirurgia e confirmação de que tecido de uma lesão profunda foi obtido para seções permanentes.
Classificação de lesões desconhecidas pode orientar a abordagem cirúrgica imediata — distinguindo processos inflamatórios de neoplásicos e, dentro das neoplasias, diferenciando benigno de maligno.
Técnica e Coloração
Seções congeladas são tipicamente coradas com um protocolo rápido de H&E: hematoxilina por 30-60 segundos, seguida por eosina por 15-30 segundos, com breves etapas de desidratação e clarificação. O ciclo inteiro de coloração leva 2-3 minutos. Alguns laboratórios também usam azul de toluidina (para mastócitos e fibras nervosas) ou azul de metileno (para identificação de paratireoide).
Qualidade e Limitações
A qualidade da seção congelada é inerentemente inferior à das seções permanentes (parafina). O processo de congelamento cria artefatos de cristais de gelo que perturbam a estrutura celular, tornando o detalhe nuclear mais grosseiro e menos distinto. A espessura da seção é maior (6-10 µm vs. 3-5 µm para parafina), reduzindo a resolução óptica. Tecido adiposo e espécimes fortemente calcificados seccionam mal.
A acurácia diagnóstica da seção congelada varia de 94-98% quando realizada por patologistas experientes em espécimes apropriados. Falsos negativos ocorrem mais frequentemente quando a área de interesse (ex., um pequeno depósito tumoral em um linfonodo) não está incluída no bloco de seção congelada. Falsos positivos são raros, mas podem resultar da interpretação de atipia reativa como malignidade. Alguns diagnósticos não podem ser feitos em seção congelada: gradação definitiva de muitos tumores, diagnóstico de distúrbios linfoproliferativos e avaliação de invasão capsular em tumores tireoidianos são tipicamente adiados para seções permanentes.
Artefatos Específicos de Seções Congeladas
Cristais de gelo aparecem como espaços angulares vazios dentro do tecido, distorcendo a arquitetura. O congelamento rápido (nitrogênio líquido) minimiza a formação de cristais de gelo em comparação com o congelamento lento na câmara do criostato.
Linhas de fratura ocorrem quando o tecido está muito duro ou muito frio, fazendo com que a seção rache durante o corte. Aquecer ligeiramente o bloco ou cortar mais lentamente pode ajudar.
Enrugamento e dobramento são mais comuns em seções congeladas do que em seções de parafina porque as seções são mais espessas e menos aderentes à lâmina.
Artefato de congelamento em tecido adiposo faz a gordura aparecer como vacúolos vazios com septos finos e rompidos, limitando a avaliação de lesões gordurosas.
Diagnóstico Adiado e a Seção Permanente
Após a seção congelada, o tecido remanescente é descongelado, fixado em formalina e processado rotineiramente para seções permanentes de parafina. O diagnóstico da seção permanente substitui o diagnóstico da seção congelada. Discrepâncias entre diagnósticos congelados e permanentes são revisadas em conferências de garantia de qualidade. A seção congelada é uma consulta, não um diagnóstico final — esta distinção é crítica para a segurança do paciente e documentação médicolegal.