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Colorações para Microrganismos em Tecido

Quando agentes infecciosos são suspeitos na H&E, mas não podem ser identificados definitivamente, colorações histoquímicas especiais destacam microrganismos em seções de tecido. Essas colorações permanecem essenciais apesar do uso crescente de IHQ e diagnósticos moleculares — são rápidas, baratas e fornecem contexto morfológico.

Coloração de Gram Tecidual

A coloração de Gram tecidual (modificação de Brown-Hopps ou Brown-Brenn) diferencia bactérias Gram-positivas (azul-púrpura) de Gram-negativas (rosa-vermelho) em seções de parafina. Diferentemente da técnica de coloração de Gram bacteriana usada em microbiologia, que usa cultura fresca, a coloração de Gram tecidual funciona em tecido fixado e processado. O violeta de genciana cora paredes celulares Gram-positivas; a safranina ou fucsina básica contracora bactérias Gram-negativas, núcleos e fundo. A coloração de Gram tecidual é útil para identificar morfologia bacteriana (cocos, bacilos) e padrão de reação tecidual — inflamação supurativa sugere bactérias piogênicas; inflamação granulomatosa sugere micobactérias ou fungos.

Ziehl-Neelsen para Bacilos Álcool-Ácido Resistentes

Ziehl-Neelsen (ZN) cora micobactérias (Mycobacterium tuberculosis, M. leprae, micobactérias não tuberculosas) explorando sua parede celular cerosa, rica em ácido micólico, que retém o corante carbolfucsina após a descoloração álcool-ácido. Bacilos álcool-ácido resistentes aparecem em vermelho brilhante contra um contracorante de azul de metileno ou verde brilhante. A sensibilidade da ZN em tecido é de aproximadamente 40-60% em comparação com cultura ou PCR — ZN negativa não descarta infecção micobacteriana. ZN modificada (Fite-Faraco) usa um descolorante álcool-ácido mais suave para M. leprae e Nocardia, que são menos álcool-ácido resistentes que M. tuberculosis.

Grocott Metenamina Prata (GMS)

A GMS é a coloração mais sensível para detectar fungos em tecido. O ácido crômico oxida polissacarídeos da parede celular fúngica a aldeídos; a solução de metenamina prata reduz íons de prata a prata metálica nos sítios de aldeído, depositando prata preta nas paredes celulares fúngicas. O fundo é contracorado com verde claro.

A GMS detecta virtualmente todos os fungos clinicamente relevantes: Candida (leveduras e pseudo-hifas), Aspergillus (hifas septadas ramificando a 45°), Mucor (hifas largas, não septadas, ramificando a 90°), Cryptococcus (levedura encapsulada, brotamento de base estreita), Histoplasma (leveduras intracelulares pequenas), Blastomyces (leveduras de brotamento de base larga), Coccidioides (esférulas contendo endósporos) e Pneumocystis jirovecii (cistos com morfologia pontilhada característica). A GMS também cora elastina, que pode servir como um controle positivo interno.

Ácido Periódico-Schiff (PAS) para Fungos

O PAS cora paredes celulares fúngicas em magenta e é complementar à GMS. É mais específico que a GMS (menos falsos positivos de debris), mas ligeiramente menos sensível. Muitos laboratórios usam tanto GMS quanto PAS em cada caso fúngico para maximizar a detecção. PAS com diástase remove glicogênio que poderia ser confundido com fungos.

Warthin-Starry para Espiroquetas

A impregnação por prata de Warthin-Starry cora espiroquetas em preto contra um fundo amarelo-marrom pálido. A técnica deposita prata metálica nos microrganismos usando uma solução de nitrato de prata reduzida por hidroquinona. Warthin-Starry é usada para detectar Treponema pallidum (sífilis — mostra organismos espiralados na pele, linfonodo e placenta), Borrelia burgdorferi (doença de Lyme), Helicobacter pylori (gastrite) e Bartonella henselae (doença da arranhadura do gato, angiomatose bacilar). A coloração é tecnicamente exigente e requer controle preciso de temperatura e pH.

Giemsa para Microrganismos Intracelulares

A coloração de Giemsa é usada para Helicobacter pylori em biópsias gástricas (bacilos espiralados na superfície mucosal), Chlamydia (inclusões intracitoplasmáticas em espécimes conjuntivais, cervicais ou respiratórios), Babesia e Plasmodium (parasitas intraeritrocitários) e Leishmania (amastigotas em macrófagos). Giemsa cora núcleos em púrpura-azulado e citoplasma em rosa; microrganismos aparecem como estruturas basofílicas distintas.

Comparação e Algoritmo

Um algoritmo de coloração diagnóstica para suspeita de infecção começa com Gram e GMS para todos os casos. Se bacilos Gram-positivos forem vistos, adicione ZN para Nocardia e micobactérias. Se inflamação granulomatosa estiver presente sem organismos visíveis, adicione ZN e GMS. Se espiroquetas forem suspeitas, adicione Warthin-Starry. Se inclusões virais estiverem presentes, a IHQ para vírus específicos (CMV, EBV, HSV, HHV8, adenovírus) fornece identificação definitiva. Todas as colorações especiais requerem controles positivos processados concomitantemente, e os resultados devem ser correlacionados com cultura, sorologia e testes moleculares para diagnóstico definitivo.