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Enzimologia Clínica

A enzimologia clínica utiliza medições da atividade enzimática no sangue e outros fluidos corporais para diagnosticar doenças, monitorar a progressão da doença e avaliar a resposta ao tratamento. Técnicas diagnósticas comuns incluem ELISA, Western blot e SDS-PAGE. Quando as células são danificadas, enzimas intracelulares extravasam para a corrente sanguínea, onde sua medição fornece informações diagnósticas valiosas.

Princípios da Enzimologia Diagnóstica

As enzimas detectadas no plasma originam-se de funções específicas do plasma, como fatores de coagulação, ou de extravasamento de células. A lesão tecidual libera enzimas celulares na circulação, e o padrão de elevação enzimática reflete o órgão afetado. A magnitude e o curso temporal da elevação enzimática fornecem informações sobre a extensão e duração da lesão. As isoenzimas, diferentes formas moleculares da mesma enzima, podem fornecer ainda maior especificidade tecidual.

Marcadores Cardíacos

As troponinas cardíacas são os marcadores preferidos para infarto do miocárdio, mas marcadores enzimáticos tradicionais permanecem clinicamente úteis. A creatina quinase existe como três isoenzimas: CK-MM (músculo esquelético), CK-MB (músculo cardíaco) e CK-BB (cérebro). A CK-MB aumenta dentro de 4 a 6 horas de um ataque cardíaco, atinge o pico em 24 horas e retorna ao normal em 72 horas. A razão CK-MB/CK total ajuda a distinguir dano cardíaco de dano muscular esquelético.

A lactato desidrogenase tem cinco isoenzimas formadas a partir de subunidades H e M. A LDH1 (H4) predomina no coração, enquanto a LDH5 (M4) é mais abundante no fígado e músculo esquelético. No infarto do miocárdio, a LDH1 excede a LDH2, produzindo um padrão invertido. A LDH aumenta mais lentamente que a CK-MB, mas permanece elevada por mais tempo, tornando-a útil para pacientes que se apresentam tardiamente.

Enzimas Hepáticas

Os testes de enzimas hepáticas ajudam a diagnosticar e monitorar doenças hepáticas. A alanina aminotransferase é altamente específica para o fígado e é liberada de hepatócitos danificados. Elevação acentuada, frequentemente excedendo 10 vezes o limite superior de referência, é típica de hepatite viral aguda ou lesão hepática induzida por medicamentos. A aspartato aminotransferase é encontrada no fígado, coração, músculo esquelético e hemácias, tornando-a menos específica. A razão AST/ALT ajuda a distinguir causas de doença hepática. Uma razão acima de 2 sugere doença hepática alcoólica, enquanto uma razão abaixo de 1 é típica de hepatite viral.

A fosfatase alcalina está elevada na doença hepática colestática, como obstrução do ducto biliar. A gama-glutamil transferase também está elevada na colestase e é particularmente sensível à lesão hepática induzida por álcool. A GGT pode confirmar a origem hepática da fosfatase alcalina elevada.

Enzimas Pancreáticas

A amilase e a lipase são as principais enzimas medidas para o diagnóstico de pancreatite. A amilase sérica aumenta dentro de 6 a 12 horas do início e permanece elevada por 3 a 5 dias. No entanto, a amilase também pode estar elevada em outras condições, incluindo doença das glândulas salivares, insuficiência renal e obstrução intestinal. A lipase é mais específica para pancreatite e permanece elevada por mais tempo que a amilase, tornando-a o marcador diagnóstico preferido.

Enzimas Ósseas

A fosfatase alcalina é produzida por osteoblastos e está elevada em condições de aumento da renovação óssea, incluindo doença de Paget óssea, fraturas em cicatrização e metástases ósseas. A fosfatase alcalina específica do osso fornece maior especificidade para doença óssea em comparação com a fosfatase alcalina total.

Métodos de Ensaio Enzimático

Os ensaios de enzimas clínicas medem a atividade catalítica ou a massa enzimática. As medições de atividade usam métodos espectrofotométricos para monitorar a taxa de consumo de substrato ou formação de produto, tipicamente acoplados à produção ou consumo de NADH monitorado a 340 nm. Os ensaios modernos são realizados em analisadores automatizados que podem processar centenas de amostras por hora. Os resultados são expressos em unidades internacionais por litro, onde uma unidade internacional catalisa a conversão de um micromol de substrato por minuto sob condições especificadas.

Considerações Pré-Analíticas

Vários fatores afetam as medições enzimáticas. A hemólise libera enzimas intracelulares das hemácias, elevando falsamente os resultados para LDH e AST. O armazenamento da amostra pode afetar a estabilidade da enzima, com algumas enzimas perdendo atividade rapidamente em temperatura ambiente. Variação circadiana, exercício e medicamentos também podem influenciar os níveis enzimáticos. Intervalos de referência devem ser estabelecidos para cada enzima em cada laboratório, considerando idade, sexo e diferenças populacionais.