Bactérias requerem nutrientes específicos para o crescimento, e os meios de cultura são formulados para atender a essas necessidades nutricionais. Compreender os requisitos nutricionais e os tipos de meios é essencial para cultivar, isolar e identificar microrganismos em laboratório.
Requisitos Nutricionais
Macronutrientes incluem carbono (o elemento mais abundante, 50% do peso seco), nitrogênio (para proteínas e ácidos nucleicos, 12–15% do peso seco), fósforo (para ácidos nucleicos e ATP), enxofre (para aminoácidos e cofatores) e minerais como Mg²⁺, K⁺, Ca²⁺ e Fe²⁺. Micronutrientes (elementos-traço) incluem ferro, zinco, manganês, cobre, cobalto, molibdênio e níquel, requeridos em concentrações micromolares ou nanomolares para função enzimática. Fatores de crescimento são compostos orgânicos que as bactérias não podem sintetizar, incluindo vitaminas (biotina, tiamina, B₁₂), aminoácidos, purinas e pirimidinas.
Classificação Nutricional
Autotróficos usam CO₂ como única fonte de carbono; fotoautotróficos obtêm energia da luz (cianobactérias), enquanto quimioautotróficos obtêm energia de compostos inorgânicos (Nitrosomonas, Nitrobacter). Heterotróficos requerem compostos orgânicos de carbono — foto-heterotróficos usam luz mas necessitam de carbono orgânico (algumas bactérias púrpuras), e quimio-heterotróficos obtêm energia e carbono de compostos orgânicos (a maioria das bactérias patogênicas). Prototróficos podem sintetizar todos os compostos orgânicos necessários a partir de fontes simples de carbono, enquanto auxotróficos perderam a capacidade de sintetizar um ou mais fatores de crescimento essenciais devido a mutações.
Tipos de Meios de Cultura
Meios complexos contêm ingredientes indefinidos como peptonas (digestos enzimáticos de proteína), extrato de levedura, extrato de carne e hidrolisado de caseína; ágar nutriente, ágar tripticaseína de soja (TSA) e caldo Luria-Bertani (LB) são exemplos comuns. Meios definidos (sintéticos) têm todos os componentes quimicamente definidos e são usados para estudos nutricionais e pesquisa metabólica — o meio mínimo M9 contém sais, glicose e NH₄Cl. Meios enriquecidos são meios ricos em nutrientes que suportam organismos fastidiosos; ágar sangue (TSA com 5% de sangue de carneiro) e ágar chocolate (ágar sangue aquecido para Neisseria e Haemophilus) são exemplos.
Meios Seletivos e Diferenciais
Meios seletivos contêm inibidores que suprimem microrganismos indesejados enquanto permitem o crescimento de organismos-alvo. O ágar MacConkey usa sais biliares e violeta cristal para inibir bactérias Gram-positivas, selecionando Gram-negativas; o ágar manitol salgado usa NaCl a 7,5% para selecionar estafilococos. Meios diferenciais distinguem entre diferentes tipos de microrganismos com base na atividade metabólica — o ágar MacConkey mostra fermentadores de lactose como rosa ou vermelho e não fermentadores como incolores, enquanto o ágar EMB dá a E. coli um brilho metálico verde. Propriedades seletivas e diferenciais são frequentemente combinadas em um único meio, como no ágar MacConkey.
Meios Especializados
Meios anaeróbicos fornecem um ambiente reduzido em oxigênio com agentes redutores (cisteína, tioglicolato de sódio) e resazurina como indicador redox; meio de carne cozida e caldo tioglicolato suportam anaeróbios obrigatórios. Meios de transporte mantêm a viabilidade de organismos delicados durante o transporte sem promover crescimento — o meio de Stuart e o meio de Cary-Blair preservam patógenos para análise laboratorial clínica. Meios indicadores contêm substratos e indicadores que produzem uma mudança visível em resposta a atividades enzimáticas específicas; o ágar triplo açúcar ferro (TSI) testa a fermentação de carboidratos e a produção de H₂S.
Esterilização de Meios
A autoclavagem a 121°C por 15 minutos é o método padrão para esterilizar meios termoestáveis, enquanto meios contendo glicose são autoclavados a temperatura reduzida (115°C) para prevenir caramelização. Meios sensíveis ao calor (ex.: aqueles que contêm soro, antibióticos ou vitaminas) são esterilizados por filtração em membrana com poros de 0,22 µm. Para controle de qualidade, cada lote de meio é testado quanto à esterilidade por incubação a 35°C por 48 horas e quanto ao suporte de crescimento usando cepas de referência (culturas ATCC).
Fatores que Afetam o Crescimento em Cultura
A classificação por temperatura inclui psicrófilos (−5 a 20°C), mesófilos (20–45°C, incluindo a maioria dos patógenos a 35–37°C), termófilos (45–80°C) e hipertermófilos (>80°C). A maioria das bactérias cresce otimamente em pH 6,5–7,5, embora acidófilos (ex.: Lactobacillus, Helicobacter) prefiram pH 2–5 e alcalífilos (ex.: Vibrio cholerae) prefiram pH 8–10. Quanto aos requisitos de oxigênio, aeróbios obrigatórios requerem O₂, anaeróbios obrigatórios são mortos por O₂, anaeróbios facultativos crescem com ou sem O₂, e microaerófilos requerem O₂ reduzido (5–10%).