Skip to content

Article image
Listeria monocytogenes

May 26, 2026

Listeria monocytogenes é um bastonete psicrotrófico Gram-positivo, facultativamente anaeróbio, capaz de crescer em temperaturas tão baixas quanto -0,4°C. Esta capacidade de se multiplicar sob refrigeração torna-o um patógeno de origem alimentar único e desafiador. L. monocytogenes também é osmotolerante e pode sobreviver em pH baixo e altas concentrações de sal, permitindo-lhe persistir em uma ampla gama de produtos alimentícios e ambientes de processamento. É amplamente distribuído no solo, água, vegetação e fezes de animais.

A listeriose afeta principalmente grupos de risco: mulheres grávidas (risco de aborto espontâneo, nado-morto, infecção neonatal), idosos e indivíduos imunocomprometidos. A dose infecciosa para indivíduos suscetíveis é desconhecida, mas acredita-se que seja baixa, possivelmente inferior a 1.000 UFC. As manifestações clínicas variam desde gastroenterite febril em indivíduos saudáveis até formas invasivas graves, incluindo septicemia, meningite e encefalite. A taxa de mortalidade da listeriose invasiva é alta, de 20 a 30%. L. monocytogenes é comumente associada a alimentos prontos para consumo (RTE), como frios, queijos de pasta mole, peixe defumado e patês refrigerados.

L. monocytogenes forma prontamente biofilmes em aço inoxidável, borracha e outros materiais em contato com alimentos, permitindo persistência a longo prazo em instalações de processamento. Os programas de monitoramento ambiental, portanto, utilizam Listeria spp. como organismo indicador, com um resultado positivo desencadeando uma intensificação do saneamento (a abordagem “procurar e destruir”). A detecção segue um protocolo de enriquecimento em duas etapas (meio-Fraser e caldo Fraser), plaqueamento em ágares seletivos como PALCAM e Oxford, seguido de confirmação usando testes bioquímicos ou PCR visando o gene hly que codifica a listeriolisina O.

A política regulatória para L. monocytogenes em alimentos RTE varia globalmente. Os Estados Unidos aplicam uma política de tolerância zero (ausência em 25 g), enquanto a União Europeia permite até 100 UFC/g em produtos que não apoiam o crescimento. O controle depende de monitoramento ambiental abrangente, procedimentos de saneamento validados, formulação com antimicrobianos (lactato, diacetato), tratamentos pós-letalidade (processamento em alta pressão, pasteurização a vapor) e controle rigoroso de temperatura em toda a cadeia de frio. O controle da Listeria depende de planos HACCP robustos e de programas de monitoramento ambiental. Ao contrário da Salmonella, ela pode crescer em temperaturas de refrigeração, exigindo atenção específica ao gerenciamento de alérgenos e à higienização em instalações de alimentos prontos.