A malária continua sendo uma das doenças parasitárias mais significativas globalmente, causada por protozoários do gênero Plasmodium. Cinco espécies infectam humanos: P. falciparum, P. vivax, P. ovale, P. malariae e a zoonótica P. knowlesi. O P. falciparum causa a doença mais grave e é responsável pela maioria das mortes relacionadas à malária.
Ciclo de Vida
O ciclo de vida do Plasmodium alterna entre o mosquito vetor (reprodução sexuada) e o hospedeiro humano (reprodução assexuada). A infecção começa quando uma fêmea infectada do mosquito Anopheles injeta esporozoítos na corrente sanguínea durante uma refeição de sangue.
Os esporozoítos viajam até o fígado e invadem os hepatócitos, onde sofrem esquizogonia exo-eritrocítica. Em P. vivax e P. ovale, alguns parasitas se tornam hipnozoítos dormentes que podem permanecer no fígado por meses ou anos, causando recaídas. Após 5–16 dias, o hepatócito se rompe, liberando milhares de merozoítos na corrente sanguínea.
Os merozoítos invadem glóbulos vermelhos e iniciam o ciclo eritrocítico. Dentro do eritrócito, o parasita progride através dos estágios de anel, trofozoíto e esquizonte. O esquizonte rompe o glóbulo vermelho, liberando merozoítos que invadem novos eritrócitos. Essa ruptura cíclica causa as febres periódicas características. Alguns merozoítos se diferenciam em gametócitos, as formas sexuadas que são ingeridas pelos mosquitos.
No intestino médio do mosquito, os gametócitos formam gametas que se fundem para produzir um zigoto. O zigoto se desenvolve em um oocineto que penetra na parede intestinal e forma um oocisto. Dentro do oocisto, esporozoítos se desenvolvem e migram para as glândulas salivares, prontos para infectar um novo hospedeiro.
Apresentação Clínica
Os sintomas geralmente aparecem 7–30 dias após a infecção e incluem febre, calafrios, cefaleia, mialgia e fadiga. A malária não complicada apresenta paroxismos febris a cada 48 horas (P. falciparum, P. vivax, P. ovale) ou 72 horas (P. malariae). A malária grave por P. falciparum pode evoluir para malária cerebral, anemia grave, síndrome do desconforto respiratório agudo, lesão renal aguda e acidose metabólica.
Diagnóstico Laboratorial
O exame microscópico de esfregaços sanguíneos espessos e finos corados com Giemsa continua sendo o padrão ouro para o diagnóstico da malária. Os esfregaços espessos concentram parasitas para detecção e quantificação, enquanto os esfregaços finos permitem a identificação da espécie com base em características morfológicas. A parasitemia é relatada como a porcentagem de glóbulos vermelhos infectados ou o número de parasitas por microlitro de sangue. Microscopistas experientes podem detectar parasitemia tão baixa quanto 5–10 parasitas por microlitro.
Os testes rápidos (RDTs) detectam antígenos específicos do parasita, como a proteína rica em histidina 2 (HRP2) para P. falciparum e a lactato desidrogenase (pLDH) ou aldolase para detecção pan-Plasmodium. Os RDTs são simples de realizar e úteis em locais com recursos limitados, mas não podem quantificar a parasitemia nem distinguir infecção passada de atual.
O diagnóstico molecular por reação em cadeia da polimerase (PCR) oferece a maior sensibilidade e especificidade. PCR aninhado e PCR em tempo real direcionados ao gene 18S rRNA podem detectar parasitemia de baixo nível e identificar infecções por espécies mistas. A PCR é particularmente valiosa para confirmar espécies em casos microscopicamente ambíguos e para monitorar a eficácia do tratamento.
Testes sorológicos que detectam anticorpos contra antígenos de Plasmodium indicam exposição passada e são úteis para inquéritos epidemiológicos, mas não para diagnóstico agudo.
Tratamento Antimalárico
O tratamento depende da espécie de Plasmodium, dos padrões de resistência e da gravidade da doença. A malária não complicada por P. falciparum é tratada com terapias combinadas à base de artemisinina (ACTs), como artemeter-lumefantrina ou artesunato-amodiaquina. Infecções por P. vivax e P. ovale requerem cloroquina em áreas sensíveis, além de primaquina para erradicação de hipnozoítos. A malária grave requer artesunato intravenoso seguido por um ciclo completo de ACT oral.
Prevenção
As medidas de controle vetorial incluem mosquiteiros tratados com inseticida, pulverização residual intradomiciliar e manejo de fontes larvais. A quimioprofilaxia com atovaquona-proguanil, doxiciclina ou mefloquina é recomendada para viajantes a áreas endêmicas. O desenvolvimento de vacinas produziu a vacina RTS,S/AS01, que fornece proteção parcial contra P. falciparum em crianças pequenas.