Plaquetas (trombócitos) são fragmentos de células anucleadas derivadas de megacariócitos na medula óssea. Eles desempenham um papel central na hemostasia, formando o tampão plaquetário inicial nos locais de lesão vascular e fornecendo uma superfície para a montagem do fator de coagulação. O CBC inclui a contagem de plaquetas, e a avaliação cuidadosa dos parâmetros plaquetários é essencial para avaliar o risco de sangramento, tendência trombótica e função da medula óssea.
Contagem de plaquetas
A contagem normal de plaquetas é 150–450 × 10⁹/L. As contagens de plaquetas são determinadas por métodos de impedância ou ópticos em analisadores automatizados, com a contagem de imunoplaquetas (marcação de CD61/CD41 por citometria de fluxo) servindo como método de referência para amostras gravemente trombocitopênicas. As contagens podem estar falsamente diminuídas devido à agregação plaquetária (pseudotrombocitopenia induzida por EDTA), satelitismo plaquetário (plaquetas aderidas aos neutrófilos), plaquetas gigantes contadas como hemácias ou formação incompleta de coágulos. Contagens falsamente elevadas podem resultar de fragmentos de hemácias ou leucócitos, precipitação de crioglobulina ou contaminação bacteriana.
Trombocitopenia
A trombocitopenia é definida como uma contagem de plaquetas abaixo de 150 × 10⁹/L. A gravidade é graduada: leve (100–149 × 10⁹/L), moderada (50–99 × 10⁹/L), grave (20–49 × 10⁹/L) e muito grave (< 20 × 10⁹/L). O risco de sangramento espontâneo aumenta significativamente abaixo de 20 × 10⁹/L. As etiologias são categorizadas por mecanismo: diminuição da produção (insuficiência da medula óssea, leucemia, quimioterapia, anemia aplástica, mielodisplasia), aumento da destruição (trombocitopenia imune (PTI), induzida por medicamentos, trombocitopenia induzida por heparina (HIT), púrpura pós-transfusão, hiperesplenismo, DIC) e sequestro (hipersplenismo com esplenomegalia). A investigação laboratorial inclui a revisão do esfregaço de sangue periférico para verificar a contagem e avaliar a morfologia das plaquetas, seguida de testes para causas específicas.
Trombocitose
Trombocitose é uma contagem de plaquetas acima de 450 × 10⁹/L. A trombocitose reativa (secundária) é mais comum e ocorre em resposta a infecção, inflamação (impulsionada por PCR/IL-6), deficiência de ferro, malignidade, anemia hemolítica, pós-esplenectomia e perda aguda de sangue. A trombocitemia essencial (TE) é uma neoplasia mieloproliferativa causada por mutações JAK2, CALR ou MPL, apresentando trombocitose sustentada, estoques normais de ferro e nenhuma causa reativa. A distinção entre trombocitose reativa e primária é feita através de avaliação clínica, marcadores inflamatórios (PCR, ferritina), estudos de ferro e testes de mutação.
Volume Plaquetário Médio (VPM)
O MPV mede o tamanho médio das plaquetas e se correlaciona com a produção de plaquetas. Plaquetas maiores (VPM alto) são mais jovens, mais reativas e contêm grânulos mais densos. O VPM está aumentado na PTI (devido à renovação plaquetária acelerada com aumento da trombopoiese) e nas neoplasias mieloproliferativas. O VPM está diminuído na anemia aplástica e após quimioterapia. O VPM tem sido estudado como marcador de risco cardiovascular, embora sua utilidade clínica permaneça limitada devido à variabilidade pré-analítica (o EDTA causa inchaço plaquetário ao longo do tempo) e à falta de padronização.
Morfologia Plaquetária no Esfregaço
O esfregaço de sangue periférico fornece informações qualitativas críticas sobre as plaquetas. As plaquetas normais aparecem como pequenos fragmentos discóides (2–4 µm) com citoplasma azul claro e finos grânulos roxo-avermelhados. Plaquetas grandes (plaquetas gigantes, > 5 µm) sugerem renovação aumentada ou distúrbios hereditários (síndrome de Bernard-Soulier). Plaquetas cinzentas (falta de grânulos) indicam síndrome das plaquetas cinzentas ou mielodisplasia. Aglomerados de plaquetas sugerem pseudotrombocitopenia induzida por EDTA. Esquistócitos com trombocitopenia levantam preocupação com microangiopatia trombótica (TTP, SHU), uma emergência médica que requer troca plasmática imediata.
Contexto Clínico
A contagem de plaquetas é interpretada em conjunto com outros parâmetros de hemograma e apresentação clínica. A trombocitopenia isolada sugere PTI ou causas induzidas por medicamentos. A trombocitopenia com anemia hemolítica microangiopática (esquistócitos, LDH elevada, haptoglobina baixa) é uma emergência de PTT/SHU. Trombocitopenia com diferencial anormal de leucócitos sugere leucemia ou mielodisplasia. A trombocitose após esplenectomia é esperada e benigna. A coordenação com testes de hemostasia e coagulação é essencial quando há sintomas de sangramento.