A microscopia é essencial na microbiologia para visualizar microrganismos que são pequenos demais para serem vistos a olho nu. Diferentes técnicas de microscopia fornecem vários níveis de resolução, contraste e informações estruturais.
Microscopia óptica
A microscopia de campo claro é a forma mais básica, onde a luz passa através de uma amostra corada e o contraste é fornecido por corantes como violeta cristal, azul de metileno ou coloração de Gram. A microscopia de contraste de fase converte diferenças no índice de refração em diferenças de contraste, permitindo a visualização de células vivas e não coradas e é ideal para observar a motilidade bacteriana, a divisão celular e endósporos. A microscopia de campo escuro usa um condensador especial para iluminar a amostra com luz oblíqua, fazendo com que os objetos pareçam brilhantes contra um fundo escuro, e é usada para visualizar bactérias finas, como Treponema pallidum.
Microscopia de Fluorescência
A microscopia de fluorescência usa fluorocromos (corantes fluorescentes) que emitem luz em comprimentos de onda específicos quando excitados por uma fonte de luz de comprimento de onda mais curto. DAPI cora DNA (fluorescência azul), FITC marca anticorpos (fluorescência verde) e rodamina marca estruturas celulares (fluorescência vermelha). A imunofluorescência utiliza anticorpos conjugados com fluoróforos que se ligam especificamente aos antígenos alvo, permitindo a detecção de patógenos (por exemplo, Legionella, Chlamydia) e componentes celulares. A marcação GFP (Green Fluorescent Protein) permite a visualização da localização e dinâmica das proteínas nas células vivas.
Microscopia Eletrônica
A Microscopia Eletrônica de Transmissão (TEM) passa um feixe de elétrons através de uma seção ultrafina da amostra, alcançando resolução de até 0,1 nm e permitindo a visualização de partículas virais, estruturas celulares internas e complexos proteicos; as amostras requerem fixação, incorporação, seccionamento e coloração com metais pesados (acetato de uranila, tetróxido de ósmio). A microscopia eletrônica de varredura (MEV) varre um feixe de elétrons através da superfície de uma amostra, detectando elétrons secundários para produzir uma imagem topográfica tridimensional com resolução de 1-10 nm e é usada para visualizar estruturas superficiais bacterianas, biofilmes e comunidades microbianas.
Microscopia confocal
A microscopia confocal usa uma abertura pinhole para eliminar a luz fora de foco, gerando seções ópticas nítidas através de uma amostra espessa. Permite a reconstrução tridimensional de biofilmes microbianos, seções de tecido e estruturas intracelulares. A microscopia confocal de varredura a laser (LSCM) permite imagens multicanais com diferentes fluoróforos simultaneamente.
Preparação de amostras
Uma montagem úmida é preparada colocando uma gota de cultura líquida em uma lâmina para observar microrganismos vivos e sua motilidade. Esfregaços fixos envolvem bactérias fixadoras de calor ou fixadoras de metanol em uma lâmina e coloração para visualização sob microscopia de campo claro. A coloração negativa utiliza tinta nanquim ou nigrosina para corar o fundo, deixando as células não coradas visíveis como áreas claras, o que é útil para a visualização da cápsula. A coloração de Gram é a coloração diferencial mais importante em bacteriologia, classificando as bactérias como Gram-positivas ou Gram-negativas.
Resolução e ampliação
O limite de resolução da microscopia óptica é de aproximadamente 0,2 µm (limite de difração de Abbe), determinado pelo comprimento de onda da luz e pela abertura numérica da objetiva. A ampliação útil máxima para microscopia óptica é de aproximadamente 1000-1500x. A microscopia eletrônica atinge uma resolução muito maior devido ao comprimento de onda mais curto dos elétrons (0,0037 nm a 100 kV).