A urinálise é um dos testes laboratoriais mais antigos e mais frequentemente solicitados. Uma urinálise completa tem três componentes: exame físico, análise química por tira reagente e exame microscópico do sedimento.
Colheita de Espécime
É preferível um espécime de urina de jato médio com colheita limpa. O paciente limpa a área uretral, começa a urinar, colhe a porção média num recipiente estéril e termina de urinar. Isto minimiza a contaminação da uretra e da pele.
A primeira urina da manhã é a mais concentrada e fornece a melhor sensibilidade. Se não for testada dentro de 1 hora, a amostra deve ser refrigerada a 2–8 °C. Permita que as amostras refrigeradas retornem à temperatura ambiente antes de testar.
Exame Físico
- Cor: a urina normal é amarelo pálido a âmbar (pigmento urocromo). Cores anormais incluem vermelho (sangue, beterraba), castanho escuro (bilirrubina, mioglobina), laranja (rifampicina, desidratação), verde (biliverdina, certos fármacos) e turvo (infeção, cristais de fosfato).
- Claridade: límpida, ligeiramente turva ou turva. A turbidez indica células, bactérias, cristais ou lípidos.
- Densidade específica: medida por refratómetro ou tira reagente. A faixa normal é 1,005–1,030. Densidade específica alta indica urina concentrada (desidratação, SIADH); baixa indica urina diluída (diabetes insípido, ingestão excessiva de líquidos).
- pH: normalmente 4,5–8,0. A dieta, fármacos e estado metabólico afetam o pH. Urina alcalina pode indicar uma infeção do trato urinário com organismos que decompõem a ureia (Proteus).
Química da Tira Reagente
A tira reagente tem almofadas impregnadas com produtos químicos que reagem com analitos específicos. Os resultados são lidos semiquantitativamente (negativo, traço, 1+, 2+, 3+) num tempo definido (geralmente 60–120 segundos).
- Glicose: normalmente ausente. Presente na hiperglicemia (diabetes) ou glicosúria renal.
- Proteína: quantidades vestigiais podem ser normais. Proteinúria persistente indica dano renal (glomerulonefrite, síndrome nefrótica).
- Sangue: deteta hemoglobina e mioglobina. Hematúria (hemácias intactas) indica hemorragia; hemoglobinúria indica hemólise intravascular.
- Cetonas: acetoacetato e acetona. Presentes na cetoacidose diabética, jejum e dietas cetogénicas.
- Nitrito: produzido por bactérias redutoras de nitrato (a maioria das Enterobacteriaceae). Um teste positivo sugere bacteriúria.
- Leucócito esterase: uma enzima libertada por glóbulos brancos. Positivo indica piúria (ITU ou inflamação).
- Bilirrubina e urobilinogénio: indicam função hepática e hemólise.
Exame Microscópico
O sedimento é examinado após centrifugar 10 mL de urina a 1500–2000 rpm durante 5 minutos e ressuspender o pellet em 0,5–1 mL de sobrenadante. Uma gota é colocada numa lâmina, coberta com lamínula e examinada sob alta potência (400×).
- Hemácias: >3 por campo de alta potência (HPF) é anormal (hematúria). Hemácias dismórficas sugerem origem glomerular.
- Leucócitos: >5 por HPF sugere inflamação ou infeção (piúria).
- Células epiteliais: células escamosas indicam contaminação; células tubulares renais podem indicar lesão tubular.
- Cilindros: estruturas cilíndricas formadas nos túbulos renais. Cilindros hialinos podem ser normais; cilindros de hemácias indicam glomerulonefrite; cilindros de leucócitos indicam pielonefrite; cilindros granulares e cerosos indicam lesão tubular renal.
- Cristais: oxalato de cálcio (comum, geralmente benigno), ácido úrico, fosfato triplo (estruvite), cistina (cistinúria).
- Bactérias e leveduras: bactérias são comuns em espécimes contaminados; bacteriúria significativa (>10⁵ UFC/mL) indica infeção.